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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Limites da Ética



Praticamente todos nós posssuimos alguns limites para a Ética. Não faltam aqueles que apontam falhas éticas por toda parte. Mas será que eles não nunca cometem  deslizes éticos?
Eu diria que sim. Alias, tenho certeza que sim.

Alguns exemplos de agressões à ética que são toleradas e praticadas por grande parte das pessoas:


  •      Compra de CD pirata
  •      Uso de Software pirata
  •          Desobedecer sinais de trânsitos
  •      Furar fila
  •          Receber troco errado para mais e não devolver
  •      Uso exagerado de tempo de trabalho na empresa com assuntos pessoais
  •      Uso de Internet no trabalho para fins pessoais
  •      Aceitar comprar sem nota mediante desconto ( vale para médicos e dentistas)
  •      Subornar guarda de trânsito
  •      Parar em vagas de idosos ou deficientes
  •      Ultrapassar pela direita

Recentemente um amigo comentou que foi ao dentista e chegando lá comentaram sobre os escândalos de corrupção pelos quais o país passa. O dentista estava indignado. Ao final da consulta na hora de pagar o dentista perguntou: quer com nota ou sem nota, sem nota fica R$ 50,00 mais barato.

Uma certa rede de lojas de roupas femininas costumava expor certas ofertas na vitrine a preços bem atrativos. Mas quando os clientes pediam as roupas expostas frequentemente falavam que os números solicitados das roupas expostas em oferta haviam se esgotado e ofereciam alternativas, logicamente por um preço mais caro. Isso é ético?

Algumas empresas poderosas são conhecidas por negociarem com fornecedores menores fornecimentos sobre determinadas condições de preço e prazo de entrega. Muitas dessas empresas ficam super animadas em venderem grandes volumes. Passando alguns meses a grande empresa comunica unilateralmente que as condições de pagamento terão que passar de 30 dias para 120 dias por exemplo, e se quiserem continuar fornecendo devem aceitar as condições. As empresas fornecedoras que muitas vezes já investiram para atender os grandes pedidos acabam aceitando mesmo comprometendo fortemente o capital de giro.  Isso é ético?

Trabalhei durante muitos anos como Controller e Diretor Financeiro de varias empresas. Uma das responsabilidades era fazer o controle do gastos da área de vendas. Um dos trabalhos envolvia a aprovação de relatórios de despesas do pessoal de vendas. Em algumas situações existiam limites de gastos onde, por exemplo, eram reembolsados valores de até R$28,00 por refeição. Alguns vendedores adotavam por prática sempre pedir uma nota no valor de R$ 28,00 mesmo tendo gastado menos. Já outros, ou eram mais sérios ou se preocupavam em não serem pegos superfaturando o almoço. Exato, eu disse superfaturando o almoço. Assim como empreitaras superfaturam obras. Funcionários por vezes costumam superfaturar gastos reembolsáveis.

Numa certa multinacional onde trabalhei a diretoria resolveu aprovar gastos de frigobar de até 10% da diária do hotel. Eu nunca utilizei essa regra, por considerar que as mercadorias dos frigobares dos hotéis são muito caras, e como eu não pagaria do meu bolso, também achava que a empresa não deveria pagar tais gastos. No entanto, muitos funcionários, quando em viagem, ficavam usando produtos do frigobar até chegarem ao nível de gastos por volta dos 10% das diárias.

Conheci um sujeito que falava com certo orgulho que havia ido nesses grandes supermercados e comprado uma utilidade doméstica. No caso, ele pagou num caixa interno e deram para ele um ticket para ele entregar no caixa de saída da loja. Ao sair, a caixa esqueceu de pegar o ticket. O sujeito não teve dúvida, entrou de novo no mercado e pegou uma segunda unidade com o ticket que não havia sido entregue.

Mas já vi também exemplos bem positivos e até algum exagero se é que pode haver exagero quando tratamos de ética.

Tive um gerente logo no começo da minha carreira que era de uma ética impecável. Certa ocasião eu soube que ele estava vendendo um carro. Fui até ele e perguntei qual era o preço que estava pedindo. Respondeu ele: o preço é “X” mas eu não vendo para ninguém da empresa porque não gosto de misturar as coisas. Completando, não acho ético vender um carro na empresa onde trabalho, muito menos se tratando de um subordinado.

Na mesma empresa já havia um outro gerente que vendia carros e se utilizava da estrutura da empresa inclusive para deixar os carros estacionados. No caso, se houvesse interesse de algum funcionário pelo carro, como ele tinha autoridade sobre as áreas envolvidas, ele antecipava o decimo terceiro salário e até férias para compor o pagamento dos carros.

Na minha carreira de mais de 40 anos em empresas diversas presenciei e até cheguei a interceder em inúmeras questões éticas. Tudo que vi ensinou que transgressões à ética ocorrem em níveis variados. Elas são pequenas, médias e grandes e infelizmente custam muito caro para a empresa, para os próprios transgressores e para o país. O resultado está ai para todo mundo ver.

Hoje se reclama muito dos políticos e de outros corruptos, mas a realidade é que o Estado Corrupto que é o Brasil é resultado da ética que cada um dos mais de 200 milhões de brasileiros praticam, o que inclui pequenos, médios e grandes problemas éticos. Então se quisermos mudar esse cenário temos sim que reclamar, que procurar eleger representantes mais dignos, mas temos sobretudo que fazer a nossa parte.  

  
28 / Dezembro de 2016 Ariovaldo L.Silva

Palestrante, Consultor, Profissional com mais de 35 anos em cargos executivos, Professor Universitário, Economista, Mestre em ciências contábeis e empresário com experiência internacional.
Autor de diversos artigos sobre liderança, gestão e ética, baseados em sua vivência empresarial.
Trabalhou com grandes marcas como Super Bonder, Helmanns, Knorr, Pritt, Tenaz, Derepoxi, Loctite e muitas outras, conhecendo profundamente o mercado.
Desenvolveu inúmeras equipes e levou dezenas de subordinados à cargos de gerência. Além disso, é ativista, vegetariano e defensor de animais.






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